AS CIDADES SÃO UM SISTEMA VIVO

Publicado no Facebook a 03-01-2026

As cidades não são só edifícios e ruas, são um sistema vivo, muito complexo composto por vários sistemas. Entender uma cidade não é uma tarefa fácil, que se consiga num curto espaço de tempo. Entender uma cidade é uma tarefa permanente de acompanhamento e entendimento de todos os sistemas que compõem a cidade.

A malha urbana condiciona o transito e a mobilidade, consequentemente condiciona o acesso ao trabalho, o movimento do comércio e até a própria saúde. A energia influencia a conforto e o “clima” da cidade. As cadeias e os mercados de distribuição de bens alimentares, a distribuição de água, a biodiversidade, a economia, as escolas e a educação, a arte e a cultura, o desporto, os cuidados de saúde e a segurança pública não são camadas paralelas e independentes, são redes de uma malha bastante complexa e interligada que interagem continuamente. Mexe-se num sistema e todo o metabolismo urbano reage.

Todos os sistemas da cidade têm de estar em permanente acompanhamento, para que se façam em tempo útil as “reparações” e os melhoramentos necessários. Se o acompanhamento não for abrangente, então fazem-se correções isoladas ou num único sistema o que leva a resultados frágeis, fragmentados e sem efeito a médio/longo prazo.

A resiliência urbana, a equidade social e a sustentabilidade económica só surge em cidades que são entendidas e projetadas tendo a plena consciência de que a cidade é um sistema que aglomera vários sistemas complexos.

A Cidade das Caldas da Rainha é claramente um exemplo deste modo de entender as cidades, no entanto, nas últimas décadas, não tem havido qualquer visão de todos os sistemas da cidade, que permitam criar um plano ou melhor um objetivo para trazermos a Cidade para o século XXI. Não se pode adiar mais, é fundamental começarmos a entender a Cidade nesta lógica de aglomerado de sistemas, largarmos as ideias dos “velhos do Restelo” e começar a requalificação da Cidade para chegarmos ao final desta década e termos a Cidade das Caldas da Rainha como uma referencia incontornável no panorama nacional e internacional.

Amador Pedro Fernandes

O DIREITO À CIDADE

Publicado no Facebook a 20-12-2025

O que é o direito à cidade? É o direito que todas as pessoas têm em viver, desfrutar e mover-se na cidade com liberdade e segurança.

Nas últimas décadas o que foi acontecendo na esmagadora maioria das cidades (onde se inclui a Cidade das Caldas da Rainha) foi a priorização do automóvel, que teve como principais consequências: ruas inseguras – tráfego constante – contaminação do ar que respiramos – desaparecimento de espaços públicos. A priorização do automóvel também tem um impacto importante sobre a mobilidade humana: deslocações a pé, de bicicleta ou de transporte público tornaram-se complicadas e arriscadas, o que consequentemente reduz a quantidade de pessoas na rua, limitando a possibilidade de exercer plenamente o direito à cidade.

É preciso mudar a priorização, deixar o automóvel e priorizar as pessoas. A cidade tem de garantir as deslocações, dentro dela própria, sem depender do automóvel particular. A solução passa por criar uma cidade mais justa, mais inclusiva e mais humana. A priorização tem claramente de ser sobre os peões, os ciclistas e os utilizadores de transporte públicos.

É fundamental para o futuro da Cidade das Caldas da Rainha, criar um conceito de mobilidade sustentável justa, começando: pela redistribuição do espaço público, dando espaço aos peões e retirando espaço ao automóvel – pela requalificação das ruas para que caminhar ou pedalar seja seguro – pela reorganização e expansão o transporte público, ou seja, do TOMA.

O direito à cidade deve sempre promover uma mobilidade mais humana, mais justa e procurar o bem estar coletivo. Deve ser sempre equitativa, saudável, viva e sustentável. O direito à cidade começa por algo tão simples como a forma como nos deslocamos: quando caminhar, andar de bicicleta ou apanhar o autocarro for seguro, a cidade torna-se mais justa, mais humana e mais vibrante.

Quando recuperarmos o direito à cidade, reencontraremos a cidade que amamos!

Amador Pedro Fernandes