Um pouco de história

Após o sucesso do Dia Europeu sem Carros, em 2000 e 2001, a Semana Europeia da Mobilidade (SEM) foi lançada pela Comissão Europeia em 19 de abril de 2002, durante a Semana Verde, em Bruxelas. Esta campanha é uma parceria entre a Comissão Europeia e as autoridades nacionais e locais.

Anualmente de 16 a 22 de setembro, os cidadãos europeus têm a oportunidade de viver uma semana inteira de atividades dedicadas à mobilidade sustentável, com o objetivo de facilitar um debate alargado sobre a necessidade da mudança de comportamentos relativamente à mobilidade, em particular no que toca à utilização do automóvel particular.

Este ano, o tema é «Mobilidade para todos». Pretende sublinhar a importância e necessidade de garantir que todas as pessoas possam ter acesso a transporte sustentável, independentemente do seu rendimento, localização, género ou competências.

Preços elevados e/ou falta de opções de transporte que limitam e condicionam o acesso ao local de trabalho, aos estabelecimentos escolares e a serviços essenciais, são desafios que muitas pessoas enfrentam no seu dia-a-dia. A esta problemática, chama-se «pobreza dos transportes».

Em 2025, a SEM convida a perspetivar e construir uma sociedade em que os serviços de transporte estejam disponíveis, sejam acessíveis, baratos, inclusivos e seguros, garantindo que o transporte público, deslocar-se a pé e /ou de bicicleta, sejam opções justas para todos.

https://eurocid.mne.gov.pt/eventos/semana-europeia-da-mobilidade

Vias pedonais e cicláveis

É exatamente aqui que reside a minha reflexão de hoje.

  • O que falta na nossa cidade, Caldas da Rainha, para que os cidadãos deixem o carro em casa?
  • Porque há filas e filas de carros junto às nossas escolas, no início da manhã, à hora de almoço e ao final do dia?
  • Porque é que os nossos alunos não utilizam mais a bicicleta ou a trotinete?
  • O transporte público, nomeadamente o TOMA, serve eficazmente as necessidades da população, em geral, e da escolar, em particular?

Bem, em primeiro lugar tem que haver mudança de mentalidades. Andar a pé faz bem e em Caldas tudo é perto. O princípio da “cidade 15 minutos” pode aplicar-se aqui com facilidade. Portanto, há que mudar vontades. E isso começa cedo, em casa e na escola.

A CIM Oeste e a Câmara Municipal de Caldas da Rainha têm, a meu ver, desempenhado um papel importante, especialmente na implementação da gratuitidade dos passes nos transportes públicos.

As filas de carros junto às escolas são compostas por pais que transportam os seus filhos para a Escola. Porque o fazem? Bem, nuns casos porque moram longe e a rede de transportes públicos não cobre as suas necessidades. Neste caso, entende-se. Noutros casos, porque as mentalidades ainda não mudaram. Noutros, ainda, porque sim, porque é fino, mostra-se o pópó novo e marca-se estatuto, como se isso fosse um bom exemplo para quem se transporta! Podem existir outros motivos que desconheço.


Os nossos alunos não vão tanto quanto seria desejável a pé, de bicicleta ou de trotinete, pelos dois motivos apresentados acima, mas também porque as escolas ainda não estão servidas por vias pedestres e cicláveis, como deviam. Aqui, o município tem grandes responsabilidades e um papel importante pela frente. Bem sei que tem sido feito um esforço para limitar a 30 km/h a velocidade dentro da cidade. Mas isso não chega! É preciso marcar no pavimento a indicação de local com prioridade para peões e bicicletas. É fácil! Veja os exemplos de uma localidade a 10 minutos de Paris:

Ao fundo, uma escola. Marcada a zona ciclável no pavimento. É só isto!
Veja a curiosidade desta foto: junto a uma escola (lado direito) só há sentido de trânsito automóvel para quem sobe. Mas, repare-se no sinal de trânsito! A via ciclável é no sentido descendente…
Nesta foto, uma rua com estacionamento para os residentes. Mas com dois sentidos de trânsito e via ciclável! Se houver duas viaturas em sentidos opostos e uma bicicleta, como fazer? É simples: 1º passa a bike, depois a viatura que não tem impedimento e, por último, a viatura do lado do estacionamento para os residentes. E podem ter a certeza que funciona.
A mesma rua …
Foto que mostra proibição de virar à direita, exceto para as bicicletas… que podem seguir o seu caminho virando tranquilamente à direita.

É isto tudo que nos falta fazer. É nisto que a Câmara Municipal tem que investir e apostar. Depois, as mentalidades vão mudando. E os nossos alunos irão para a escola na sua bicicleta, trotinete ou a pé. Ganha o ambiente, a saúde, há mais segurança e menos trânsito. TODOS TEMOS A GANHAR COM ISSO.

Por último, se os transportes públicos, nomeadamente o TOMA, servem bem a população? Parece haver estudos recentes sobre esse tema. Mas sei de uma coisa: estamos hoje melhor que no passado. Tem sido feito um grande esforço na região Oeste e, principalmente, no nosso concelho. Os autocarros do TOMA são hoje maiores que no passado e isso espelha uma maior adesão da população ao serviço e um enorme esforço financeiro por parte da autarquia. Se pode fazer-se mais e melhor? Estou certo que sim, mas… estamos no bom caminho.

Façamos da Semana Europeia da Mobilidade uma prática todo o ano.

Autor

  • Nasci em 18 Abril de 1967 em Castanheira de Pera. Aí estudei até ao 9⁰ ano. Fiz o ensino secundário em Figueiró dos Vinhos. Depois rumei à Universidade de Coimbra onde concluí a Licenciatura em Geografia – Ramo de Formação Educacional em 1990. No ano seguinte fiz estágio e, desde então, sou professor de Geografia. Resido em Caldas da Rainha desde 1995.


Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *